Então Deus pronunciou todas estas palavras, dizendo: Eu, o Senhor, sou o teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
Não te prostrarás diante delas, nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor, sou um Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam…
Domingo 3º da Quaresma
ÊXODO 20, 1-17
Então Deus pronunciou todas estas palavras, dizendo:
Eu, o Senhor, sou o teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.
Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
Não te prostrarás diante delas, nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor, sou um Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. Mas uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.
Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.
Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás todas as tuas obras, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.
Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá.
Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo.
Estamos diante da formulação da Lei. O texto refere-se a um “acontecimento” que deve ter ocorrido por volta de 1300 a.C. Para nós, hoje, parece uma formulação “primitiva”. Mas Israel é o povo que vai à frente nesta formulação. A Palavra guia Israel e vai levando-o, desde uma antiguidade remota, a aproximar-se da Lei.
Vemos nele duas partes, uma referente a Deus, e outra ao comportamento habitual. Quanto a Deus, o respeito: Deus único, Deus zeloso, não representável em imagens, não invocável em vão… Aponta-se mais a posição do homem diante do “Senhor”, e esta é a fundamentação da Lei, “porque Eu sou o Senhor”.
A segunda parte é o código ético: o descanso semanal, o homicídio, o adultério, o roubo, o falso testemunho, a cobiça… Pode-se dizer que isto é “quase” senso comum: submissão e respeito ao Senhor e normas de convivência.
Tudo isso foi formulado em uma cenografia de montanha fumegante, som de trombetas e trovões, para que o homem se submetesse. Mas também foi feito para que o povo vivesse. A finalidade não é a submissão, mas a Salvação. A fundamentação desta Lei não está no Senhor, mas no Salvador que tirou o seu povo da escravidão.
1 CORÍNTIOS 1, 22-25
Os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria, mas nós pregamos a Cristo crucificado: escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os chamados, tanto judeus como gregos, poder de Deus e sabedoria de Deus.
Porque a loucura de Deus é mais sábia do que a sabedoria dos homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que a força dos homens.
É um dos textos mais famosos de Paulo: “Os judeus pedem sinais, os gregos sabedoria: mas nós pregamos a Cristo crucificado”.
A Lei proclamada no A.T. é sabedoria proclamada com sinais. A ninguém escandaliza que “O Senhor” exija submissão, a ninguém surpreende que se manifeste com “sinais e prodígios”, a ninguém surpreende o conteúdo da Lei, que é o senso comum para a convivência. Sabedoria e sinais. Por isso não escandaliza. Mas Jesus escandaliza.
A sabedoria de Jesus não é justiça, nem é razoável. É trabalhar com Deus para ajudar os humanos a serem filhos. Carregar a cruz com confiança, sem entender. Sofrer sabendo que Ele também o fez.
Não acreditar em um deus razoável, que habita em templos, pede culto e impõe justiça, mas no Pai Libertador, no Filho que dá a vida, no Espírito que move os homens.
O resumo não está no Templo, mas em lavar os pés. Sem sinais. “Esta geração perversa e adúltera pede um sinal, mas não se lhe dará outro sinal senão o de Jonas” (Lucas 11,29).
Jesus não é um mago que convence de “seus poderes” fazendo milagres pequenos. Quando Jesus age fora do comum é porque cura, porque faz presente a intenção de Deus: salvar. E toda interpretação do milagre como “este é um super-homem”, aproxima-se da magia ou da idolatria.
A doutrina de Jesus não é sabedoria humana, não é razoável, a menos que se tenha entrado em sua dinâmica: que os filhos devemos ajudar o Pai no trabalho de salvar o homem. Então as coisas se entendem. Mas só desde esse ponto de vista se entende. Se não, é loucura e escândalo.
José Enrique Galarreta, S.J.
