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Isaías 55, 1-3 / Romanos 8, 35-39

Ó, todos os sedentos, ide por água, e os que não tendes prata, vinde, comprai e comei, sem prata, e sem pagar, vinho e leite! Por que gastar prata naquilo que não é pão, e vosso salário naquilo que não sacia? Escutai-me e comei o que é bom, e vos deleitareis com alimentos suculentos…

Domingo 18 do Tempo Comum

 

ISAÍAS 55, 1-3

Ó, todos os sedentos, ide por água, e os que não tendes prata, vinde, comprai e comei, sem prata, e sem pagar, vinho e leite!

Por que gastar prata naquilo que não é pão, e vosso salário naquilo que não sacia? Escutai-me e comei o que é bom, e vos deleitareis com alimentos suculentos.

Aplicai o ouvido e vinde a mim, ouvi e viverá a vossa alma. Pois vou fazer convosco uma aliança eterna: as amorosas e fiéis promessas feitas a Davi.

Dentro da tônica de bênçãos e esperanças messiânicas que caracterizam a última parte do livro de Isaías, aparecem numerosos motivos como este, em que Deus é representado na abundância e na gratuidade.

Esta é uma dimensão profética importante: Deus é apresentado como luz, como água, como abundância. A apresentação positiva de Deus, como escolha correta, melhor do que a sua oposta, a referência velada à “terra que mana leite e mel”. Deus é a herança de Israel, a tenda segura, a água no deserto, a luz na noite…

Seus paralelos no evangelho de João são numerosos e significativos: Jesus como água viva, Jesus como luz, Jesus como pão vivo. Este é o motivo que atraiu este texto para acompanhar o da multiplicação dos pães.

O problema destes textos foi a sua interpretação literal. Para o justo, o que segue ao Senhor, não haverá dificuldades materiais: longa vida, saúde, filhos, prosperidade: “serás feliz e te irá bem, tua mulher como videira fecunda, teus filhos como brotos de oliveira…” tema frequente nos salmos. Tema tragicamente denunciado no livro de Jó e em numerosos salmos, escandalizados de que sejam os ímpios aqueles a quem lhes vai bem, e não o justo.

Ao nível nacional, deu-se de fato uma identificação da Promessa com a integridade e prosperidade política de Israel. Se Israel é fiel, irá bem como nação. Esta foi a interpretação do reinado triunfal de Davi, e – em negativo – será a interpretação do Exílio, como castigo à infidelidade.

E este mesmo tema constituirá o trauma pela morte inexplicável do piedoso rei Josias, ininteligível a partir destes parâmetros.

Esta “mudança de plano” é característica do ensinamento de Jesus, e uma das fontes, se não “a fonte”, do rejeição por parte da religiosidade oficial de Israel. Jesus “espiritualiza” a Aliança e a Promessa, o Templo, o Sacerdócio… que Israel havia “materializado”. É um caso típico da relação entre “cumprimento” e “levar à plenitude”. Neste caso – como na maioria – a plenitude significa destruir o anterior, como um recipiente em que já não cabe o conteúdo, como um ovo incapaz de conter por mais tempo o pássaro. Talvez tenha sido necessário, mas agora estorva.

 

ROMANOS 8, 35-39

Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação?, a angústia?, a perseguição?, a fome?, a nudez?, os perigos?, a espada?.

Como diz a Escritura: Por tua causa somos mortos todo o dia; tratados como ovelhas destinadas ao matadouro.

Mas em tudo isso saímos vencedores graças àquele que nos amou. Pois estou certo de que nem a morte nem a vida nem os anjos nem os principados nem o presente nem o futuro nem as potestades nem a altura nem a profundidade nem outra criatura alguma poderá separar-nos do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus Senhor nosso.

Mais uma vez, o texto mal se relaciona com o tema evangélico. No entanto, assinalemos – pontualmente – dois aspectos: a primeira comunidade cristã teve bem cedo a confirmação de que as “bênçãos” de Deus tinham o rosto concreto da perseguição: “Por tua causa somos mortos todo o dia”. “Perseguição, fome, angústia, tribulação, espada…”. A cruz, sinal do cristão.

Por outro lado, Paulo mostra muito claramente que tudo isso não é capaz de nos fazer duvidar do amor de Deus, mas sim confirmá-lo. As bênçãos de Deus não são outras senão as que Jesus teve: fé e força para enfrentar a cruz. A ressurreição está depois da cruz, não aqui.

A revelação última de Deus é continuar acreditando que nos quer apesar da cruz, e a vida do cristão se transforma em uma maneira de carregar a cruz, a cruz que é componente da vida de todo humano, sem deixar de acreditar no amor de Deus.

 

José Enrique Galarreta, S.J.

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