Fe Adulta

1 reis 19, 16b e 19-21 / Gálatas 5, 1 e 13-18

Domingo 13 do Tempo Comum

Hoje é um bom domingo para percebermos que a escolha das leituras nem sempre é coerente, nem mesmo acertada. É claro que a segunda leitura tem pouca relação com as outras duas (do domingo 9º ao 16º estamos lendo a carta aos Gálatas). Por outro lado, a primeira leitura tem um final semelhante ao do evangelho, embora sua semelhança seja tão superficial que mal contribui com algo.

 

1 REIS 19, 16b e 19-21

Naqueles dias, o Senhor disse a Elias:

– Unge como profeta sucessor a Eliseu, filho de Safat, natural de Abel-Meolá.

Elias partiu e encontrou Eliseu, filho de Safat, que arava, com doze juntas de bois à sua frente, e ele estava com a última. Elias passou ao seu lado e lançou sobre ele o seu manto. Então Eliseu, deixando os bois, correu atrás de Elias e pediu:

– Deixa-me despedir dos meus pais; depois voltarei e te seguirei.

Elias respondeu:

– Vai e volta, quem te impede?

Eliseu deu meia-volta, pegou a junta de bois e os matou, fez fogo com os instrumentos, assou a carne e ofereceu de comer ao seu povo. Depois levantou-se, seguiu Elias e colocou-se a seu serviço.

Os dois livros que hoje chamamos de Reis constituíam inicialmente um só. Foi escrito pela Escola Deuteronômica, em uma primeira edição por volta do ano 600 e em uma versão definitiva por volta do ano 560, em pleno Exílio na Babilônia.

Contém a narrativa da história do povo (mais precisamente de seus reis) desde a morte de Davi até o exílio na Babilônia. Sua intenção fundamental é confirmar a tese do Deuteronômio: se o povo for fiel a Deus, Deus o protegerá; se for infiel e quebrar a aliança, Deus o castigará.

Portanto, tenta-se explicar o Exílio como ação de Deus que castiga a infidelidade do Povo, embora não o destrua.

Nesse processo, desempenham um papel muito importante os Profetas, homens de Deus que, com suas palavras e sinais, despertam constantemente no povo a consciência religiosa, o admoestam por suas infidelidades, lembram-lhe a Aliança com o Senhor.

O Profeta mais importante desses livros é Elias, que luta constantemente contra a idolatria e a degeneração dos costumes, especialmente no reino do Norte, Israel. No texto de hoje vemos como se prepara “a sucessão” de Elias, adotando, por ordem do Senhor, a Eliseu como seu continuador. O texto é atraído pelo tema do Evangelho, embora existam entre ambos textos diferenças muito significativas.


GÁLATAS 5, 1 e 13-18

Para viver em liberdade, Cristo nos libertou. Portanto, permanecei firmes e não vos submetais novamente ao jugo da escravidão. Irmãos, a vossa vocação é a liberdade: não uma liberdade para que se aproveite o egoísmo; ao contrário, sede escravos uns dos outros por amor. Porque toda a lei se resume nesta frase: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Mas, atenção, que se vos mordeis e devorais uns aos outros, acabareis por destruir-vos mutuamente. Eu vos digo: andai segundo o Espírito e não realizeis os desejos da carne; pois a carne deseja contra o espírito e o espírito contra a carne. Há entre eles uma tal antagonismo, que não fazeis o que quisésseis. Mas, se vos guia o Espírito, não estais sob o domínio da lei.

Encontramo-nos hoje com uma das mais brilhantes expressões de Paulo, que mostram a novidade da Notícia de Jesus, expressão – além disso – de um tema básico na religiosidade e no conhecimento de Deus: Deus é o libertador, Jesus vem para libertar, a vida cristã é libertação.

A carta aos cristãos da Galácia parece ter sido escrita em Éfeso, por volta do ano 57. As comunidades da Galácia, na Ásia Menor, eram formadas maioritariamente por pagãos convertidos ao cristianismo. Mas grupos de judeus semeavam nelas a inquietação proclamando que os convertidos ao cristianismo estavam obrigados a submeter-se à Lei de Moisés. É o mesmo tema que se apresenta no início dos Atos dos Apóstolos, a grande luta de Paulo e os judaizantes.

Paulo escreve-lhes uma carta defendendo a liberdade perante a Lei. Mas deste tema concreto elevamo-nos à tese mais geral: a liberdade cristã perante a lei concreta, se se vive no Espírito, na Lei do Amor que torna inúteis todas as leis, porque vai muito além do prescrito.

 

José Enrique Galarreta, S.J

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