Vaidade das vaidades – diz Coelet – vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
Que aproveita ao homem todo o esforço com que trabalha debaixo do sol?
Passa uma geração, vem outra geração e a Terra permanece sempre.
Nasce o sol e põe-se o sol; depressa volta ao ponto de partida, donde volta a nascer.
O vento sopra do Sul, depois sopra do Norte; num vaivém constante, retoma os seus caminhos.
Todos os rios vão ter ao mar e o mar nunca se enche; e embora cheguem ao seu termo, jamais deixam de correr.
Todas as coisas se afadigam, mais de quanto se pode explicar; o olhar não se farta de ver, nem o ouvido se cansa de ouvir.
O que foi será outra vez e o que se deu voltará a acontecer: nada de novo debaixo do sol.
Se de alguma coisa se disser: «Vede que isto é novidade», o certo é que já foi assim nos tempos que nos precederam.
Mas nenhuma memória ficou dos tempos antigos, nem haverá lembrança dos acontecimentos futuros entre aqueles que vierem depois.
