Buscai o Senhor enquanto pode ser achado,
invocai-O enquanto está perto;
que o ímpio abandone o seu caminho
e o homem mau os seus pensamentos…
Domingo 25 do Tempo Comum
ISAÍAS 55, 6-9
Buscai o Senhor enquanto pode ser achado,
invocai-O enquanto está perto;
que o ímpio abandone o seu caminho
e o homem mau os seus pensamentos;
volte-se para o Senhor, e Ele terá misericórdia,
para o nosso Deus, que é rico em perdão.
Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos,
nem os vossos caminhos são os meus caminhos
– oráculo do Senhor ‑.
Porque assim como os céus são mais altos do que a terra,
assim os meus caminhos são mais altos do que os vossos caminhos,
e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.
“O Senhor, rico em perdão”, “os meus caminhos e os vossos caminhos”… O texto acompanha com perfeição a mensagem do evangelho. É o final do “Segundo Isaías”, escrito por volta de 553 – 539, em Babilônia, fruto da pregação de um profeta da escola de Isaías, que pregou a Israel no exílio.
A missão destes sermões é anunciar ao povo que o Senhor os fará retornar à terra, mas não por meio de forças políticas, e sim pelo caminho da conversão. “Voltai ao Senhor, e voltareis à terra. Vós não sabeis como, mas o Senhor tem os Seus caminhos e cuidará de vós se Lhe fordes fiéis.”
Os versos que seguem são os que lemos no Domingo 15º do T.O.:
Como a chuva e a neve descem do céu
e não voltam para lá, mas enchem a terra,
fazendo-a germinar e brotar,
dando semente ao semeador
e pão para comer,
assim será a minha palavra, que sai da minha boca:
não voltará para mim vazia,
mas realizará a minha vontade
e cumprirá a minha missão.
…….
Com estes versos, os anteriores fazem mais sentido. Os planos do Senhor são celestiais, mas eficazes. Israel não sabe como a chuva fecunda o solo, as sementes parecem mortas no solo seco, mas delas brotará vida a seu tempo, um tempo que não depende da vontade humana.
Não é a vontade humana que conduz a história, embora assim pareça. Deus não está ausente da História, mas segue caminhos que não entendemos, pensamentos que são mais altos do que os nossos.
FILIPENSES 1, 20-27
Cristo será glorificado no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte, pois para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.
Mas, se o viver na carne significa para mim fruto do trabalho, não sei o que escolher… Sinto-me pressionado dos dois lados: por um lado, desejo partir e estar com Cristo, o que, certamente, é incomparavelmente melhor; por outro lado, o permanecer na carne é mais necessário por vossa causa.
O importante é que vocês levem uma vida digna do evangelho de Cristo.
Até o domingo anterior, estivemos lendo trechos da carta aos Romanos. A partir de agora (até o Domingo 29º), leremos a carta aos Filipenses, os cristãos da cidade de Filipos.
Segundo Atos 16, Filipos, na Macedônia, foi a primeira cidade europeia visitada por Paulo, talvez a primeira cidade europeia a receber a Boa Nova (por volta do ano 49).
Ali se formou uma comunidade cordial e generosa, que sempre foi muito querida por Paulo. A carta, escrita por volta do ano 59 e provavelmente de Éfeso, é enviada para acompanhar um mensageiro de Paulo, Epafrodito, e anunciar-lhes que lhes enviará Timóteo.
Aproveita-se a ocasião para fazer uma série de considerações pessoais, pois Paulo está aparentemente preso e se expande com os de Filipos (“para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”).
Sem grande unidade, a carta tem passagens muito belas, e muito conhecidas por seu uso em nossa Eucaristia.
Hoje lemos um magnífico texto, que nos mostra algo da alma mística de Paulo, enamorado de Jesus e ansioso por vê-lo, por estar com Ele.
Esta mesma ideia “Desejo ser libertado e estar com Cristo” está presente em Teresa de Jesus, João da Cruz, Inácio de Loyola… enfim, em todos aqueles que, apaixonados por Jesus, suspiram pelo dia em que possam encontrá-Lo, finalmente, face a face.
É uma mensagem magnífica, muito especialmente para nós, que geralmente vemos a morte com tanto receio e, certamente, mais como algo temível do que como um encontro definitivo e feliz com Deus.
José Enrique Galarreta, S.J.
