Fe Adulta

Isaías 11, 01-10 / Romanos 15, 04-09

2º Domingo do Advento


ISAÍAS 11, 01-10

Naquele dia:

Brotará um rebento do tronco de Jessé, um renovo florescerá de sua raiz. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de conhecimento e temor do Senhor.

Ele será movido pelo temor do Senhor. Não julgará pela aparência, nem decidirá pelo que ouve; defenderá com justiça o oprimido, e com equidade dará sentença ao pobre.

Ferirá o violento com a vara de sua boca, e com o sopro de seus lábios matará o ímpio. A justiça será o cinto de seus lombos, e a fidelidade, o cinto de seus rins.

O lobo habitará com o cordeiro, a pantera se deitará com o cabrito, o bezerro, o leão e o novilho gordo andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. A vaca pastará com o urso, seus filhotes se deitarão juntos; o leão comerá palha como o boi. A criança brincará na toca da cobra, e o recém-nascido colocará a mão no esconderijo da víbora.

Não haverá dano nem destruição em todo o meu santo monte, porque a terra estará cheia do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar. Naquele dia a raiz de Jessé se erguerá como estandarte dos povos; as nações a buscarão, e a sua morada será gloriosa.

O profeta Isaías pronuncia este oráculo como advertência ao rei de Judá, explicando como deve ser o Rei. O Rei para o povo de Israel (neste caso, trata-se do reino de Judá, o reino do Sul) é muito mais do que um chefe político. Está acima dos sacerdotes, é o condutor do povo, uma presença especial do Senhor. Da sua fidelidade ao Senhor depende a prosperidade do povo e a manutenção da promessa. Mas o rei, Acaz, afastou-se do Senhor, é idólatra, submeteu-se aos deuses assírios…

Isaías lança um oráculo sonhando com o verdadeiro Rei… e transcende o tempo para falar do Rei definitivo, o novo Davi, o novo Moisés, que cumprirá plenamente a Promessa. Jessé é o pai de Davi. O texto diz, portanto, que surgirá em Israel “um novo Davi”, um novo rei e profeta, ou seja, “o messias”.

É um texto “messiânico”, que anuncia o messias. Mas que messias! Não é um rei qualquer, não fala de poder político ou militar. Cheio do espírito de Deus, que é sabedoria, fortaleza, justiça, respeito aos fracos.

Nós encontramos aqui um anúncio de Jesus. Jesus é assim: cheio do espírito de Deus, cheio de sabedoria e força e respeito pelos fracos. É também um anúncio da humanidade: isso é o ser humano. Não é riqueza, poder, domínio do forte, cobiça, prazer imediato… mas lei de Deus, que é sabedoria. E isso é Jesus. Lei viva, Sabedoria viva, Palavra viva, espírito de Deus visível em um ser humano.

Assim poderá fazer-se uma humanidade nova, na qual reine a paz: a isso se referem as últimas imagens do texto, tão expressivas, tão poéticas.

Maravilhoso Isaías. Séculos antes de Jesus já adivinhou o caminho verdadeiro. Rodeado de pessoas que acreditavam que Deus servia para que Israel fosse poderoso, já sabia que Deus serve para que todos os humanos tenham esse Espírito. Sim, o Espírito do Senhor soprava naqueles Profetas.

 

ROMANOS 15, 04-09

Irmãos. Todas as antigas Escrituras foram escritas para nossa instrução, para que, pela paciência e consolação que as Escrituras nos dão, tenhamos esperança.

Que Deus, fonte de toda paciência e consolação, vos conceda estar de acordo entre vós, como é próprio dos cristãos, para que, unânimes, a uma só voz, glorifiqueis o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em uma palavra, acolhei-vos mutuamente como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus. Quero dizer com isso que Cristo se fez servo dos judeus para provar a fidelidade de Deus, cumprindo as promessas feitas aos patriarcas, e, por outro lado, acolhe os gentios para que louvem a Deus por sua misericórdia.

Assim diz a Escritura: Louvar-te-ei no meio das nações e cantarei o teu nome.

Paulo entende muito bem quem é Jesus e o que significa para os de seu tempo. Com a chegada de Jesus, o velho vaso de Israel transborda. Já não cabe nele o Espírito de Deus. Israel vê, atônito, que o Deus de Israel não é propriedade de Israel. Israel foi apenas – e às vezes muito mal – seu mensageiro.

Nesta carta, Paulo dirige-se aos cristãos de Roma, comunidade nascida da colônia judaica residente em Roma, à qual se vão incorporando gentios, ou seja, pagãos.

E faz um anúncio revolucionário. A Bíblia não foi escrita para os judeus, mas para todos os homens. A Palavra de Deus não está presa ao povo de Israel: é para a salvação do mundo. É o primeiro sentimento que nasce de Jesus: aceitai-vos uns aos outros como Deus aceita a todos.

 

José Enrique Galarreta, S.J.

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