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No há turbulência no fundo do mar

Pedro M. Lamet Avatar
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Vivemos tempos de furacões e turbulências: atmosféricos, políticos, sociais, pessoais. Em meio a essas circunstâncias é fácil participar de uma sensação difusa de angústia, à qual se une a invasão de uma mente chismosa que nos torpedeia. Posso assim ser feliz ou ao menos estar em paz?

O dia em que você vê claro que você não é o personajinho que se debate nos quehaceres cotidianos de bem e mal, amor e desamor, alegria e tristeza, notícias más e boas, mas sim é o eu real que reside em seu interior, a vida se realiza e sobrevem a paz.

Mas isso não significa que cesse o sofrimento.

Enquanto vivemos na relatividade do espaço e do tempo, virão histórias luctuosas, dias bons e maus, o suba e desça da limitação.

A diferença é que você poderá olhar a dor como de uma plateia.

Na superfície, o mar ou a atmosfera estarão calmos ou turbulentos, com ondas suaves ou agitadas. Mas no fundo o mar permanecerá sempre imperturbável, quieto, eterno, pleno; e lá em cima segue o imenso céu estrelado. As ondas e o vento podem te sacudir. Você, ¿poderia limitar-se a sair de tudo isso sem julgar? Permaneça atento.

Alguns místicos ensinaram que há que desprezar o “de fora», esse vai e vem das ondas, o fluxo e refluxo da maré, a temporalidade.

Mas as ondas também são parte do mar. É bela a quietude do mar ensanguentado do crepúsculo. E também é bela, embora dura, a tempestade e a galerna. Se conheces o jogo e a variedade de cores, disfrutarás «a tope» de ambas.

A chave é vê-las de dentro, implicando-se o justo, como quem contempla a catástrofe do Titanic da poltrona do cinema. Assusta-se, mas não por completo, pois sabe que não é mais que um filme. Está e não está. Enquanto exista este universo, estará presente a turbulência, que também é bela e tem sentido, se se olha desde o silêncio do fundo, desde a sua função no universo. Terá que lutar para mudar o mutável, claro. Sobre tudo, deve prevenir os acidentes que provocam os ciclones, as danças, as injustiças e as doenças e urgir essas mudanças aos responsáveis. Mas no final não pode parar o furacão.

Isso sim, você pode espiritualmente fazer surf sobre ele, ou mergulhar mais fundo, conectando-se com a presença que habita dentro, com seu silêncio, o mar e o firmamento de energia sem sobrenome que o origina e ao qual você pertence.

 

Pedro Miguel Lamet

Religião Digital

Versão portuguesa traduzida com IA

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