1 SAMUEL 1, 20-28
Naqueles dias, Ana concebeu, deu à luz um filho e deu-lhe o nome de Samuel, dizendo: “Foi ao Senhor que o pedi”. Passado um ano, seu marido Elcana subiu com toda a sua família para oferecer o sacrifício anual ao Senhor e cumprir a promessa. Ana pediu para não subir, dizendo ao seu marido: “Quando eu desmamar a criança, então o levarei para apresentá-lo ao Senhor, e ele ficará lá para sempre”. Quando Ana desmamou Samuel, ela subiu com ele ao templo do Senhor, em Siló, levando um novilho de três anos, uma arroba de farinha e um odre de vinho. Depois de matarem o novilho, Ana apresentou a criança a Eli (o sumo sacerdote), dizendo: “Por tua vida, senhor, eu sou a mulher que esteve aqui ao teu lado, orando ao Senhor. Esta criança é o que eu pedia; o Senhor concedeu-me o que eu pedi. Por isso, eu o cedo ao Senhor por toda a vida, para que seja dele”. Depois, prostraram-se perante o Senhor.
Os dois livros de Samuel narram as peripécias do povo antes da monarquia, quando eram governados pelos chamados “juízes”, que governavam as tribos às vezes ocasionalmente, quando era necessária a intervenção de uma autoridade (entre outros, Débora, Gideão, Sansão, etc.). O último e mais famoso é Samuel, que será o que finalmente ungiu como rei a Davi. Os dois livros chamam-se “de Samuel” porque ele é o principal protagonista dos mesmos.
O nosso texto conta o seu nascimento e a sua consagração a Deus, para servir no Templo. É muito famoso o hino de Ana, agradecendo a Deus o nascimento da criança, que inspirou Lucas a escrever o canto de Maria que chamamos “O Magnificat”. O texto está incluído na festa de hoje por sua remota semelhança com a presença de Jesus no templo aos doze anos, embora sejam evidentes as profundas diferenças na “consagração” a Deus de Samuel e a de Jesus.
JOÃO 3, 1-2 e 21-24
Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos. A razão porque o mundo não nos conhece é porque não conheceu a Ele. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque havemos de vê-Lo como Ele é. Amados, se o nosso coração não nos condena, temos confiança diante de Deus, e recebemos dele tudo o que pedimos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável à sua vista. E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como Ele nos ordenou. Quem guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus nele. E nisto conhecemos que Ele permanece em nós, pelo Espírito que nos tem dado.
O texto é uma das jóias da 1ª carta de João. O centro da mensagem é que o essencial, em Deus e na humanidade, é o amor. A essência de Deus não é a majestade, nem o poder. A essência de Deus é o amor. Deus não é justo e misericordioso, Deus não é um juiz brando. Porque não é juiz, porque se parece muito mais a uma mãe. Daí vem a nossa própria essência: o amor, a compaixão, o perdão, constroem a humanidade. O ódio, a vingança, a opressão, a destroem. E há na carta um anúncio de futuro: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque havemos de vê-Lo como Ele é”. O destino da humanidade, o de cada um de nós e o da humanidade inteira é um sonho de Deus que nem sequer podemos imaginar.
José Enrique Galarreta, S.J.
