JEREMÍAS 31, 7-9
Pois assim diz Javé: Dai hurras por Jacó com alegria, e gritos pela capital das nações; fazei-o ouvir, louvai e dizei: “Javé salvou o seu povo, o restante de Israel!”
Vede que eu os trago da terra do norte, e os recolho dos confins da terra. Entre eles, o cego e o coxo, a grávida e a que deu à luz, todos juntos. Uma grande assembleia volta para cá. Com choro vêm e com súplicas eu os reconduzo, eu os levo a ribeiros de água por caminho plano, onde não tropecem. Porque eu sou para Israel um pai, e Efraim é meu primogênito.
Jeremias nasce em Jerusalém por volta de 645 a.C., pouco mais de um século depois de Isaías. É talvez o profeta mais “trágico” de Israel. De caráter sensível, feito para amar, vê-se chamado por Deus (ano 626) para ser a voz do contínuo reproche aos pecados do povo e dos reis, e o anúncio da destruição, pelas mãos dos caldeus de Nabucodonosor, como castigo pelos pecados. Esta atividade profética o tornará impopular, perseguido por desmoralizar o povo. No ano 587 Jerusalém é definitivamente tomada e destruída por Nabucodonosor e o povo é deportado para a Babilônia. Jeremias fica, e provavelmente é levado por um grupo de fugitivos para o Egito, onde morre.
Esta tremenda luta interior e esta vida de perseguição purificam, no entanto, profundamente a fé de Jeremias e o fazem interiorizar e espiritualizar a mensagem. Jeremias compreende bem que a salvação de Deus é uma dimensão interior, não política, desfruta da amizade de Deus, entende o pecado como ruptura dessa amizade, e é, em suma, o melhor anunciador da Nova Aliança, baseada fundamentalmente na relação íntima da alma com Deus, e na entrega da vida ao serviço de Deus, com abnegação e sofrimento. Tudo isso converte Jeremias em uma imagem viva do “Servo Sofredor” anunciado por Isaías, e, portanto, em uma espécie de imagem antecipada de Cristo.
No entanto, em meio a esta vida difícil, houve um momento de esperança. Do ano 622 ao 609, o piedoso rei Josias fomentou uma reforma religiosa, uma renovação da fidelidade à Lei. Durante uma reforma do templo encontra-se um texto do Deuteronômio (2 Reis, 22,8). Faz-se uma leitura pública do texto, reforma-se o templo, e põe-se em marcha a reforma religiosa. Isso provoca em Jeremias uma grande esperança, expressa nos capítulos 30 – 31 de seu livro. É um canto do triunfo de Javé, da definitiva restauração de Jerusalém….
HEBREUS 5, 1-6
Porque todo Sumo Sacerdote é tomado de entre os homens e está posto em favor dos homens no que se refere a Deus para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados; e pode sentir compaixão para com os ignorantes e extraviados, por estar também ele envolvido em fraqueza. E por causa dessa mesma fraqueza deve oferecer pelos pecados próprios assim como pelos do povo. E ninguém se arroga tal dignidade, senão o chamado por Deus, do mesmo modo que Aarão. De igual modo, tampouco Cristo se apropriou da glória do Sumo Sacerdócio, mas a teve de quem lhe disse: Filho meu és tu; eu te gerei hoje. Como também diz em outro lugar: Tu és sacerdote para sempre, à semelhança de Melquisedec.
Segue-se desenvolvendo o mesmo simbolismo que explicamos no domingo XXIX, tentando explicar Jesus a partir do simbolismo do Sumo Sacerdote de Israel. Jesus, o ser humano investido por Deus da dignidade de Sacerdote.
José Enrique Galarreta
