Fe Adulta

Baruc 5, 1-9 / Filipenses 1, 3-11

2º Domingo do Advento


BARUC 5, 1-9

Jerusalém, tira as tuas vestes de luto e aflição, e reveste-te para sempre com o esplendor da glória que vem de Deus. Envolve-te no manto da justiça que procede de Deus, coloca na tua cabeça a coroa de glória do Eterno. Porque Deus mostrará o teu esplendor a tudo o que há debaixo do céu. Deus te dará um nome eterno: “Paz na Justiça” e “Glória na Piedade”.

Levanta-te, Jerusalém, sobe às alturas, estende a tua vista para o Oriente e vê os teus filhos reunidos desde o oriente até o ocidente, à voz do Santo, alegres pela lembrança de Deus. Saíram de ti a pé, levados por inimigos, mas Deus te os devolve trazidos com glória, como levados em carroça real.

Porque Deus ordenou que sejam abatidos todo monte elevado e os outeiros erguidos, e que sejam preenchidos os vales até nivelar a terra, para que Israel marche em segurança guiado pela glória de Deus. Ele ordenou à floresta e a todas as árvores aromáticas que deem sombra a Israel. Porque Deus guiará Israel com alegria à luz da sua glória, com a misericórdia e a justiça que vêm dele.

É evidentemente um texto de consolação dirigido aos judeus exilados na Babilônia; encerra a promessa da libertação futura, a restauração da antiga glória de Israel mediante o retorno à pátria.

Expressa-se com belos símbolos: como uma grande procissão de retorno, diante da qual se abaixam os montes e se enchem os vales, enquanto o povo caminha para a pátria guiado pela glória de Deus, como um novo Êxodo.

Mas tudo isso não passa de um recurso literário, porque o texto foi escrito em época tardia, talvez mesmo no século I a.C., o que o transforma de livro profético em livro Sapiencial, que não faz parte do cânone hebraico. O autor (na verdade os autores) recorre ao nome de Baruque, discípulo de Jeremias, como continuador da pregação e das formas literárias do Profeta do Exílio.

Portanto, retomam-se os temas e os símbolos do exílio (o castigo de Deus pela infidelidade, a exortação à penitência, a promessa da restauração) para reavivar a memória do povo e incentivá-lo ao cumprimento da Lei.

O trecho que lemos hoje é trazido para o contexto da Eucaristia pela coincidência das expressões “que sejam abatidos todo monte elevado e os outeiros erguidos, e que sejam preenchidos os vales até nivelar a terra …” com os versos de Isaías (40, 3-5) que são citados no evangelho de Lucas.

 

FILIPENSES 1, 3-11

Sempre que oro por vós, faço-o com grande alegria, porque fostes colaboradores meus na obra do Evangelho, desde o primeiro dia até hoje. Esta é a nossa confiança: que aquele que iniciou em vós a boa obra, irá levá-la adiante até o Dia de Cristo Jesus.

E é justo que eu sinta assim por todos vós, pois vos trago no coração, participantes como sois todos da minha graça, tanto nas minhas cadeias como na defesa e consolidação do Evangelho. Pois testemunha me é Deus de quanto vos amo a todos vós no coração de Cristo Jesus.

E o que peço na minha oração é que o vosso amor continue crescendo cada vez mais e mais em profundidade e sensibilidade para apreciar os valores. Assim chegareis ao dia de Cristo limpos e irrepreensíveis, carregados de frutos de santidade, por meio de Cristo Jesus, para glória e louvor de Deus.

Filipos é uma cidade da Macedônia, a primeira cidade europeia evangelizada por Paulo, por volta do ano 49. Foi uma comunidade fervorosa e Paulo lembra-se dela sempre com enorme carinho. Paulo escreve esta carta provavelmente de Éfeso por volta do ano 54 (outros autores inclinam-se mais por Roma, ano 60). Nela, Paulo expressa seu carinho e exorta-os a crescer e progredir na fé.

Lemos hoje este texto pela menção do “dia de Cristo Jesus”, entendido como o momento final de plenitude para onde vai o crescimento espiritual que Paulo lhes deseja.

 

José Enrique Galarreta, S.J.

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