ISAÍAS 53, 10-11
Mas o Senhor quis quebrantá-lo com enfermidades. Se ele se entregar em expiação, verá descendência, prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em suas mãos. Por causa das suas dores, verá a luz e ficará satisfeito. Pelo seu conhecimento, o meu Servo justificará a muitos e levará as iniquidades deles.
Já conhecemos por vários outros domingos este “segundo” (ou terceiro) Isaías, e seu anúncio do “Servo do Senhor”, servo sofredor pelos pecados do povo, e seu significado: a concepção não davídica, não triunfal, do Messias. Esta imagem profética acompanha perfeitamente a palavra do evangelho.
Infelizmente, há duas expressões no texto próprias de uma teologia pré-histórica: “Mas o Senhor quis quebrantá-lo com enfermidades”. Parece responsabilizar o Pai pelos sofrimentos de Jesus. “Se ele se entregar em expiação” responde a um conceito de redenção mal entendido, que vem da noção de “sacrifício expiatório”, ou seja, que Jesus, com seu sangue e sua morte, “paga a Deus” por nossos pecados. Felizmente, a Igreja já está chegando a compreender que o Pai não cobra para perdoar.
HEBREUS 4, 14-16
Tendo, pois, um tão grande Sumo Sacerdote que penetrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, mantenhamos firmes a confissão da nossa fé. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas um que, como nós, foi tentado em tudo, mas sem pecado. Cheguemos, portanto, com confiança ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e encontremos graça para socorro oportuno.
A teologia da Carta aos Hebreus utiliza frequentemente a comparação de Jesus com o Sumo Sacerdote de Israel, que, uma vez por ano, entrava no Santuário para oferecer o Sacrifício pelo povo. Usa-se esta imagem para representar que Jesus é o Pontífice, o que faz para nós a ponte para Deus, porque “pertence às duas margens”. Isso é o que oferece segurança à nossa fé: por um lado, que é um de nós; por outro, que nos abre o acesso a Deus. Jesus, Deus e Homem verdadeiro, é o centro da nossa fé e da nossa esperança. Mas é importante lembrar que a imagem do Sumo Sacerdote de Israel tem valor apenas como imagem. Jesus não é um Pontífice, nem um Sacerdote. Essas imagens podem talvez nos ajudar a entender Jesus, o que é muito diferente. Também isso meditaremos mais tarde.
José Enrique Galarreta
