Fe Adulta

Reflexões sobre um estilo pessoal pastoral

Gerardo Villar Avatar

1.-          Agradeço a Deus porque vivi todos os anos com ilusão.

2.-          Comecei muitos programas, mas depois o padre seguinte geralmente foi por outro lado (como eu fui por outro lado em relação ao padre anterior a mim). Não é culpa do padre seguinte, nem do anterior, nem minha, que também, mas pela falta de um projeto pastoral diocesano.

3.-          Vivi bastante bem a realidade das aldeias, e ajudei a suscitar ações e organizações de grupos de tipo social.

4.-          Comecei em todas as vilas, reuniões em torno do evangelho e de uma nova teologia.

5.-          É discutível, mas não voltei nem mantive a relação com as pessoas das vilas onde estive.

6.-          Tentei trabalhar com os padres da zona (arciprestarias), e algo consegui, mas não conseguimos formar uma equipa estável.

7.-          Foi um sucesso estar poucos anos em cada lugar. A mudança fez-me bem a mim e às pessoas das vilas.

8.-          Tenho ido de menos para mais, a aldeias pequenas, e acredito que esse tenha sido o meu grande sucesso.

9.-          Tenho ido descobrindo que nas pessoas e nas ações estava Jesus a agir antes de eu chegar.

11.-        Tenho gostado de pregar e dar palestras, tal como de escrever. E isso apesar de, em geral, não ter recebido elogios.

12.-        Quase sempre tenho desfrutado da companhia de excelentes sacristãos.

13.-        Tenho tido muito boas relações sempre com os avós e os doentes das aldeias. Também tenho estado muito próximo em funerais, e creio que serviu de consolo.

14.-        Acredito que tenho olfato para sentir o Reino de Deus e colaborar nele.

15.-        Com o bispo Francisco tive uma relação tremenda de amizade e colaboração. Com os demais bispos tenho andado bastante mal, sem relação e sem confiança. Tenho sido, segundo expressão de um deles, “mosca chata”. Tenho estado muitos anos pedindo em todas as reuniões diocesanas o semanário para os imigrantes.

16.-        Com meus sugestões e participação, tenho sido um dos promotores de diversas associações ou atividades: Projeto Homem, Rioja Acolhe, Caritas Rural, e nas aldeias, a cooperativa de Foie-gras de Ortigosa, A Feira das nozes em Pedroso e A Feira das Feijões em Anguiano.

17.-        Tenho estudado sempre o evangelho e tenho lido bastante. Assim vou crescendo e avançando em novas explicações. Leio bastante teologia nova.

18.-        Tenho vivido sempre uma inclinação política e vital desde os mais pobres e isso me levou a ter os políticos de direita como adversários. Passei, sobretudo em épocas de Franco, muitas dificuldades. E também essa inclinação para o social de esquerda veio por ser um padre ativo e de movimento. As coisas que fazia nem sempre agradavam aos que mandavam.

19.-        Fui muito criativo e bastante original na pastoral, grupos, catequese.

20.-        Fui um tanto negativo, dedicado mais a lamentar do que a ver o positivo.

21.-        Muitas vezes fui pouco constante, mudando de projeto ou atividade sem ter terminado o anterior.

22.-        Nunca me faltou dinheiro. Com o que me dava a diocese sobrava. Paguei sempre o aluguel da casa paroquial e fui generoso com quem precisava. Nunca cobrei o estipêndio das missas. É certo que minhas irmãs foram sempre muito generosas comigo. Compartilho bastante dinheiro.

23.-        Me custou viver a afetividade. Não soube vivê-la com amplitude. Mudar de vila me serviu para deixar de me apaixonar por algumas pessoas. A partir dos 50 anos já não tinha nenhum problema.

24.-        Tenho estado tempo sem rezar o breviário, mas sim que fazia oração. E tenho desfrutado celebrando a missa de uma forma criativa, criando cada formulário.

25.-        Tenho sido sempre muito nervoso e com muita ansiedade. Isso vivi em ações, viagens, grupos, propostas, e em geral, ante qualquer coisa que tenho que fazer. Nunca começo uma missa com um minuto de atraso.

26.-        Não tenho gostado, e menos ultimamente, as reuniões massivas de padres. Sim as de pequenos grupos, e tenho procurado participar ativamente em grupos de padres que me ajudaram em nível arciprestal e diocesano (grupo dos 27, Fé Adulta, grupos com Fidel Aizpurúa…)

27.-        Tenho sentido inveja quando via que outros padres o faziam melhor, ou quando as coisas lhes davam certo ou as pessoas os aplaudiam.

28.-        Tem-me chocado e magoado o facto de que quase nenhum padre me tenha reconhecido as coisas que fiz bem: escrever, falar, grupos…

29.-        Lhe custa e resisto a que prescindam de mim na diocese e nas paróquias. Tenho que aceitar o ir desaparecendo.

30.-        Tenho sempre um sentido muito forte do ridículo, contudo, tenho sido muito corajoso quando tem sido necessário estar ou agir em circunstâncias difíceis.

 

Gerardo Villar

Versão portuguesa traduzida com IA

Partilha FeAdulta Facebook