Isabel Gómez-Acebo: O rosto de Deus que nos mostra Jesus (II). Gómez-Acebo reservou esta segunda parte para falar sobre outros três rostos de Deus, menos habituais mas muito necessários: o Deus amigo, o Deus da ternura e o Deus do gozo. Uma exposição a partir da própria experiência. Um alegato em favor das emoções deixando de lado esse interesse exagerado pelas verdades sobre Deus. “A ternura é uma atividade que nasce do fundo da alma, ali onde Deus habita”.
Isabel Gómez-Acebo: O rosto de Deus que nos mostra Jesus (I). A teóloga dedicou a primeira parte a três rostos de Deus muito importantes e mais trabalhados: o Deus libertador, o Deus pai e o Deus universal. Ao falar da universalidade de Deus fez-nos pensar. “Não podemos ficar apenas com a imagem de Jesus. Para os muçulmanos, para os budistas, a imagem de Jesus não é deles. É preciso dar o salto ao Deus de Jesus. Jesucristo apresenta diferenças. Jesus é o caminho para nós cristãos. Para outros, Jesus não é o caminho. O Deus de todos é aquele que é o caminho”.
José Ignacio González Faus: A Igreja e sua renovação (II). Faus detalha pontos muito concretos que, em seu julgamento, deveriam mudar: O Papado, A Cúria Romana ou o papel da mulher na igreja.
José Ignacio González Faus: A Igreja e sua renovação (I). Nesta primeira parte, o teólogo fala de uma igreja de iguais, que deve ser “pobre” e “dos pobres”, indo um passo além do Papa Francisco quando diz “para os pobres”. Para falar da reforma da igreja é preciso nos propor em primeiro lugar o que é a Igreja. Podemos dizer que ela é necessária porque a fé é intrinsecamente comunitária. A definição do Vaticano II da igreja como Povo de Deus fala sobretudo sobre a unidade na igualdade. Também explica que se a Igreja é Sacramento da salvação, a reforma dela terá que ver com sua “significatividad” para a humanidade.
José María Castillo: Religião e Evangelho. O teólogo reflete sobre o alcance da transcendência de Deus, que nos impede de conhecer o divino e, portanto, religião e evangelho ficam em outro plano. Reivindica a figura de Jesus como caminho para conhecer a plenitude de humanidade que mais nos aproxima de Deus. Por último, faz uma interpretação magistral do fenômeno religioso como necessidade do ser humano. Pelo contrário, o evangelho não surge da necessidade, mas sim da generosidade e não busca curar minha própria limitação, mas sim a dos outros.
Carmiña Navia: Maria e a mulher de hoje. É imprescindível mudar e atualizar as imagens de Maria de Nazaré abandonando aquela donzela submissa de olhos baixos. Também não é uma solução válida encurralá-la e silenciar sua figura porque não sabemos como ela se encaixa em nossa cultura atual. É necessária uma revisão das escrituras canônicas e apócrifas, assim como das tradições populares que nos transmitiram valores como força e consolo em nossas lutas cotidianas.
Juan Antonio Estrada: O leigo. Ao longo dos séculos, a igreja tem se clericalizado, deixando de lado os leigos. Não lhes foi tirada apenas a voz e o voto. Até lhes foi negado o evangelho, deixando as bem-aventuranças e outros conselhos evangélicos para a “elite” dos consagrados. Como foi esse processo e no que se fundamentou. O teólogo nos anima a mudar o modelo de igreja, a voltar aos ministérios leigos e a potencializar as capacidades das comunidades.
Juan Antonio Estrada: A igreja (II). A sociedade atual tem pouco em comum com a de séculos atrás e é preciso repensar o modelo de igreja: um cristianismo inculturado, global, comunitário, conciliar, colegial e ministerial, entendendo os ministérios como um serviço que respeita e potencializa a comunidade. Após a exposição teórica, há um interessante debate no qual algumas das ideias desenvolvidas são ainda mais concretizadas.
Juan Antonio Estrada: A Igreja (I).A igreja atravessa uma crise estrutural propiciada, entre outras causas, pelas mudanças na teologia dos últimos cinquenta anos e pela perda de prestígio com os escândalos financeiros e sexuais. Mas acima de tudo, ela enfrenta uma mudança de época e a definição de um novo paradigma cristão. Trata-se de redescobrir a igreja, graças a uma nova compreensão do carisma fundacional de Jesus de Nazaré e ao maior conhecimento da igreja primitiva. Também é importante revisar as chaves da renovação que tentou o Concílio Vaticano II e que foram silenciadas posteriormente.
Frei Marcos: A plenitude é ponto de partida, meta e caminho (II).Outra consequência de viver a partir do verdadeiro ser é que todo maniqueísmo é superado: não há pessoas boas e pessoas más, religiões melhores que outras, acontecimentos bons ou maus. Também os juízos são inibidos; não julgamos ninguém nem a nós mesmos. A religiosidade baseada na “programação” desaparece. Após a exposição, abre-se um debate muito interessante.
Frei Marcos: A plenitude é ponto de partida, meta e caminho (I).Para explicar a realidade, o ser humano passou por muitas etapas: conhecimento arcaico, mágico, mítico, lógico, científico e na nossa época, está surgindo um tipo de pensamento mais intuitivo, transpessoal ou não dual. Daí se fala em plenitude e superam-se os termos de salvação, justificação ou redenção.
Andrés Torres Queiruga: Repensar o Inferno. O autor enumera três pontos de partida. Seja o que for que querermos dizer com a palavra “inferno”, nunca pode ser considerado um castigo de Deus. O que é certo é que tem a ver com a nossa liberdade. E por último, não utilizar o inferno para fazer pastoral do medo porque isso é incompatível com o Deus que cria por amor. Não somos juízes de ninguém. A partir daqui, entramos no campo das hipóteses e a que propõe Torres Queiruga é muito razoável, é compatível com a bondade de Deus e com o espírito do evangelho.
Andrés Torres Queiruga: sobre o problema do mal.Se este tema não for abordado com rigor suficiente, chegam-se a afirmar coisas terríveis sobre Deus. Toda oração de súplica que tenha por termo “convencer” Deus para que nos livre de algum mal, implica uma imagem de Deus, que tudo pode, mas que por qualquer motivo não quer evitar o mal do mundo. Em um Deus assim, diz o teólogo “eu não conseguiria crer” e expõe uma série de raciocínios muito interessantes para focar o problema do mal sem colocar em dúvida a misericórdia, a onipotência ou a existência de Deus.
Vicente Haya: Amar mais Jesus em aramaico.O conhecimento das línguas semitas e concretamente o aramaico, a língua na qual Jesus se expressou, pode abrir horizontes muito interessantes para que os cristãos nos aproximemos de um Jesus mais real, e desse conhecimento da sua língua e das suas expressões, surja um amor mais autêntico.
Frei Marcos: Servir é plenitude de humanidade.O triplo anúncio da Paixão e os três episódios dos discípulos, demonstrando que de uma ou outra forma estavam preocupados em ser os primeiros, formam um relato genial. Com ele, o evangelista quer nos dizer que a experiência vital de Jesus e a dos apóstolos estavam em planos muito distintos. A mensagem do Mestre não se entende aplicando a racionalidade. Tampouco descobriremos quem somos de verdade e como é o Deus que nos habita se não tivermos nossa própria experiência interior, deixando de lado a razão.
José Ignacio González Faus: O ser humano, paixão inútil ou paixão esperançada (parte II).Após o exposto acerca da seriedade do mal, González Faus conclui que é fundamental para a antropologia teológica saber que o ser humano precisa ser redimido. E propõe uma frase que pode parecer contraditória, mas que faz parte da realidade dialética que explica o ser humano: a graça vem de fora e ao mesmo tempo, é o mais íntimo de nós mesmos.
José Ignacio González Faus: O ser humano, paixão inútil ou paixão esperançada (parte I). Nesta aula de Antropologia Teológica abordam-se os temas míticos dos primeiros capítulos do Gênesis: a constituição contraditória do ser humano, o antropocentrismo ou o pecado original. A palavra pecado recorda tratados de moral antiga. Poderíamos mudar o termo, mas a constatação do mal nos dias de hoje é evidente.
José Ignacio González Faus: A Eucaristia e as relações humanas. A Eucaristia é um tema central na vida cristã, mas está muito desfocado. A passagem do tempo desviou o seu sentido originário. Não deveria ser um ato de culto, mas a celebração de que nenhum ato de culto é necessário. Se a Eucaristia não se traduz numa transformação das relações humanas, não estamos celebrando a ceia do Senhor.
Frei Marcos: Eucaristia sobre a Lei Interior. Cumprir a norma não garante salvação humana. Só descobrindo e vivendo o que encontrar no fundo do meu ser, poderei desplegar minha humanidade. Nem o que entra em mim pode me prejudicar, nem purificar-me. Estamos agarrados aos mandamentos de Deus e da Igreja, mas o seu cumprimento externo não nos ajuda a descobrir e viver o que há dentro de nós.
Cristina Moreira: Ordenação de presbíteras católicas. Testemunho impressionante sobre a ordenação sacerdotal de mulheres no rito católico e na sucessão apostólica. Embora o Código de Direito Canônico o proíba, é impossível fechar as portas ao campo e desde 2002 estão sendo ordenadas mulheres católicas. Já são mais de 250 presbíteras que exercem seu ministério em muitos países do mundo. Pertencem à Associação de Presbíteras Católicas Romanas (ARCWP).
Frei Marcos: Eucaristia de Pentecostes em Parquelagos. Algumas reflexões sobre o mistério de Deus e uma catequese muito prática do rito da fração do pão.
Margarita Pintos: Teologia feminista (II), primeiras figuras. Um olhar sobre as origens do feminismo e da teologia feminista. O sufrágio feminino, a Bíblia das mulheres ou a primeira mulher ordenada sacerdotisa nos EUA, em 1853.
Margarita Pintos: Teologia feminista (I), princípios básicos. Uma aproximação aos princípios básicos do feminismo. Começando pela sua definição (conjunto de ideologias e movimentos sociais, muito heterogêneos e plurais mas com um mesmo objetivo comum, que é alcançar sociedades mais igualitárias), nesta primeira parte são explicados conceitos como gênero, androcentrismo ou patriarcado.
Carmiña Navia: Tradições espirituais femininas na história da igreja. A presença feminina na expansão do cristianismo foi muito forte. Mergulhando na história, descobrimos figuras importantíssimas como Tecla, Maria Madalena, Marcela de Roma, as Mães do deserto, Melania a Maior, Olímpia de Constantinopla, Hildegarda de Bingen, Clara de Assis ou as Beguinas, Hadewijch de Amberes e Margarita Porete. Constatamos que em todos os casos, a história não foi justa com o seu valor: no melhor dos casos foram silenciadas, mas algumas foram caluniadas e outras queimadas na fogueira. Perguntamo-nos o motivo e constatamos que não é outro senão aquele que impede à igreja atualmente aceitar o sacerdócio feminino.
Gonzalo Haya: Contradições nos Evangelhos. Estamos tão acostumados aos passagens do evangelho, que seguramente não somos conscientes das grandes contradições que existem entre os evangelistas, e até entre dois textos de um mesmo autor. Refletir sobre elas faz-nos descobrir que tipo de verdade querem comunicar os relatos evangélicos ou que conceito tinham da história.
María López Vigil: Outro Deus é possível. Questões muito práticas com um denominador comum: o convencimento de que as crenças religiosas têm consequências sociais. Por isso é tão importante desconstruir essas imagens falsas de Deus, que às vezes estão na origem tantas aberrações sociais como contemplamos: xenofobia, violência de gênero, desigualdade entre pobres e ricos, manipulação das consciências, a má imagem do corpo vivo, a exaltação da dor, etc.
Recital de Fray Marcos: São João da Cruz, um colosso em chamas (I). A singularidade de São João da Cruz reside na coincidência de ter sido um grande místico e um grande poeta. Para comunicar as realidades inefáveis das experiências místicas, a poesia é a forma de expressão mais adequada.
Recital de Fray Marcos: São João da Cruz, um colosso em chamas (II). Segunda parte do recital de poemas do místico castelhano.
María López Vigil: Bem-aventurados os ateus (I). O ateísmo a que se refere a autora é aquele que nos leva a rejeitar essas imagens de Deus e essas imagens de Jesus que não nos serviram. Não se pode mudar o mundo com certas imagens de Deus. Outro mundo é possível, porque Outro Deus é possível. E para esta tarefa, precisamos conhecer o Jesus histórico e também desenvolver a ética de Jesus para que nos responda às perguntas que hoje nos interpelam.
María López Vigil: Bem-aventurados os ateus (II). Seguindo a tese de José María Castillo, aborda-se o polêmico tema de se o Deus que propõe São Paulo tem algo a ver com aquele que inspirava Jesus de Nazaré.
Eucaristia do primeiro Domingo de Páscoa em Parquelagos. Documento gráfico muito interessante para aprofundar nos relatos da Ressurreição e na simbologia do Pão e do Vinho.
Homilia de Fray Marcos sobre o evangelho da incredulidade de Tomás. As portas fechadas separam os discípulos do mundo, onde reinam as trevas e a morte. A Comunidade é aquele âmbito onde há luz, vida e amor. Não é Jesus quem irrompe na assembleia. São eles que fazem presente o Jesus Ressuscitado. “Onde dois ou mais se reúnem em meu nome…” É o amor que nos faz experimentar que Jesus está vivo, porque Amor e Vida são a mesma coisa, é a mesma realidade.
Homilia de Fray Marcos sobre o evangelho do Bom Pastor. A imagem do bom pastor que nos foi transmitida carrega águas em vários aspectos. A tradução do grego não é tão clara: mais do que bom Pastor, o que se diz é “o único e o melhor pastor”. Por isso, resulta impossível que fossem palavras do mesmo Jesus. É a comunidade de João que fala. Também há uma armadilha quando se fala de que há ovelhas que não são deste redil. Deus é Pai de todos e se há um só Pastor, há um só rebanho.
